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Iosif e Louis Landau, 1927

 

bendito seja
 
Na foto uma data.
Pai, sorriso discreto,
filho, riso infante,
Amor-carinho caminha
por rostos colados.
Salmos ternura,
anos flores.
 
Na lápide gasta
a data é outra.
O filho reza
Bendito seja, meu pai,
Shema Israel...

 
 
dignidade
       
        Homenagem ao meu pai, o velho Louis
 
Lembro-me de muito pouco
parei de sonhar?
Sei que a noite me amedrontava,
ele do meu lado
vigiava em silêncio,
não era de muitas palavras,
transmitia segurança,
não importa se era baixo,
calvo, se portava pince-nez 
se usava gravata borboleta,
chapéu, colete e bengala,
foi o condutor da minha alma,
vigia da transição à adolescência,
astuto, corajoso, criativo,
dirigiu o destino da família,
trouxe-nos ao porto seguro,
desmentiu a crença de que
dinheiro aniquila generosidade,
pecou por excesso dela,
criou a lenda da fortuna inesgotável,
perdoei-lhe a inofensiva vaidade,
no País do Futuro foi depenado,
acreditava na lisura do aperto de mão
tão fora de moda como
gravata borboleta, colete,
chapéu e bengala,
não envergou na solidão da viuvez,
nem com saudade da filha desterrada,
aceitou vida espartana,
por vezes sucumbia às lembranças,
tirava o lenço do bolso
e enxugava uma lágrima,
encantava os netos com relatos
de luxo e riqueza e então sorria.  
 
Sem aviso, sem muitas palavras,
foi aos céus com dignidade.

 

 


Louis Landau, Bucareste, 1930

 

amor filial
 
Pouco me recordo da infância,
nem de um simples enjôo, dor de dente,
joelhos esfolados, amigdalite.
Carrego este peso insuportável,  
não consigo colocá-lo no chão,
sentar-me em cima, respirar aliviado.
O homem na foto é você,
elegante, calmo, seguro, um tanto severo.
Meu olhar, como um rifle antiquado, atira.
O recuo da arma é violento,
a dor leva-me de volta à infância,
o amor que sinto chegou tardio
.

 

 
 
 
 
 
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